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Festa do fim do mundo

Gostaria de resgatar esse texto que escrevi em 2005, acho, e falava sobre o eventual fim do mundo. Caso aconteça, acho válido lembrar o que já prometi. Quem sabe…

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A festa do fim do mundo (título mais uma vez)


Os dias seguem cada vez mais pessimistas. São freqüentes os jantares que começam com o mesmo diálogo:

- Gente, desculpa contar pra vocês assim antes de comer, mas o mundo acabou. Só pra avisar.

- Como assim, acabou?

- Já era, nem façam planos. Quero ver é a festa do fim do mundo.

E qualquer um que tenha passado por essa vida se pergunta: O que de bom eu ia fazer nessa festa?

Sendo assim, aqui vai a minha programação:

Todas as minhas preces iriam pra que o mundo acabasse numa quarta-feira. Isso porque terça é meu rodízio e eu adoraria sair de casa no horário da multa pra me encaminhar pra festa.

E já que essa seria longa, gostaria de me alimentar bem. E dinheiro não seria problema, então seria capaz de vender meu computador só pra pagar um belo de um almoço inflacionado, pra mim e pruma mesa de queridos, cheio de elementos importados e supérfluos, couvert, sobremesa com gordura por favor e fica com o troco.

Saindo do restaurante, mesmo que ainda não fosse o momento da festa, já seria véspera do fim do mundo, certo? Então já começaria um processo que é o seguinte: encontrou? é mais ou menos? beija na boca. É, tipo isso, a pessoa é mais ou menozinha, bonitinha, pelo menos selinho. Minha preferência vai pros homens, claro, mas sabe lá, é fim do mundo, uma ou duas mulheres…

Na hora de me vestir pra festa, escolheria dois vestidos bem novos e caros. Isso porque o primeiro eu teria que trocar com 5 minutos de festa porque teria derrubado vinho tinto de propósito. Daria muita risada de como sou solta e feliz e colocaria um outro novo. Era bom fazer também calor nessa festa porque casaco no fim do mundo não estaria com nada. Ah, mas é aquecimento global, né, tchau.

Quando a festa tivesse começado eu realizaria um grande sonho. Pedir alguém em casamento. Mas já que seria minha única chance, pediria logo três pessoas pra testar diferentes métodos. O primeiro seria o método susto.

- Oi, e aí, Fê, ta curtindo a festa? Viu a Mari?

- Casa comigo?

- Oi? Quê? Como assim?

- Eu te amo, sempre te amei, fica comigo, vamos fugir pra longe daqui, penso em você todos os dias quando boto a cabeça no travesseiro. Fica com essas rosas colombianas, é muito doloroso pra mim, não posso suportar, adeus.

O cara mal lembrava teu nome e você pede ele em casamento. Ia tentar uns 3 métodos. Um com alguém que eu não lembrasse o nome, outro com alguém que eu gostasse mesmo e um último casado, só pra ver se o cara era firmeza com a mulher mesmo.

Eu falaria também pra umas dez pessoas que não gosto delas.

- Oi, sabe o que eu acho de você?

- Como assim, o que?

- Você é nojenta, autocentrada, faz de meiga pros homens te protegerem, dá de louca, dá de filantrópica, usa essa franja ridícula e sempre odiei te encontrar. Não, não vamos marcar de sentar pra nada.

Liberdade enfim!

Eu também abraçaria longamente todo mundo que eu amo e faria um strip tease pra alguém que eu decidiria ali na hora.

E quando só restassem alguns minutos de mundo, deitaria no chão, respiraria fundo, colocaria o fone no ouvido e morreria ao som de “Palavra de Mulher”, do Chico Buarque.

“Vou voltar…”

littletexts:

— Richard Siken

littletexts:

— Richard Siken

(via 472239364)

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highonflowers:

the garden of earthly delights. elza luijendijk by ben toms

highonflowers:

the garden of earthly delights. elza luijendijk by ben toms

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As coisas que são pequenas demais pra dar felicidade, mas dão alegria

Sou muito ligada a um hábito que tenho e sempre fico pensando se mais alguém faz igual. Toda vez que viajo, faço questão de levar o mesmo xampu. E aí em casa, uso outros.

Há uns 2 anos que toda vez que estou muito feliz viajando, sinto aquele cheiro de xampu. “Ah, que delícia, esse cheiro de que estou viajando”. Faço questão de mentalizar essa frase pra duplicar o efeito.

Por que faço isso? Porque gosto de ter esse recurso. Penso em um dia em que eu estiver bem triste em casa, com algum problema bem grande. Nesse dia, eu poderei recorrer ao xampu. Eu sei como vou me sentir muito bem com ele. Como aquele cheiro vai me lembrar tudo de gostoso que já passei e minha tristeza diminuirá.

E o mais proveitoso tem sido perceber que esse processo me ajuda a eliminar metade dos problemas. Eu sempre penso “esse problema é grande o suficiente pra ser a primeira vez que uso o xampu em casa?” “Não, dá pra esperar”. Até hoje, não foi. E olha que já passei por muitas.

Quando eu penso no tamanho que isso está tomando, um minúsculo xampu (o pote é muito pequeno mesmo) e que ele ganha dos meus maiores problemas, realmente questiono as dimensões das coisas do mundo. 

Tenho também uma música cafona que ouvi uma vez num bar de Paris, que tava vazio e fechado, mas que pedi pra entrar pra fazer xixi. No clipe tem um cara tocando violão no meio do mato. Sentei lá e fiquei maravilhada pela imensidão daquele mini-momento. Ele falava sobre ser livre. Eu num bar sujo, fechado, umas 11h da manha, com o tio da limpeza, vendo aquele clipe no telão. Até hoje nao pesquisei o nome da musica, toca as vezes no rádio. Só quero ouvir quando sou pega de surpresa. Porque se for pra ir atrás, o tamanho do problema tem que valer a pena. 

Já tive isso com vestidos novos, que guardava só pra momentos que precisasse. Mas como vestido é mais caro que xampu, não teve o mesmo efeito. Tem que ser MUITO pequeno x MUITO grande. 

O que vai acontecer quando acabar esse xampu? Guardo um sabonete pra isso há 6 anos.

*5
Eu achava que era feliz, mas não sabia
Uma história de depressão profunda após abrir minha vida no Instagram
por @feguima
A gente sempre acha que as coisas vem na vida para acrescentar. Ainda mais na vida digital, em que cada link pode abrir um mundo novo de possibilidades. Pois bem, conto hoje a triste história de quando isso não aconteceu. E pior, além de não me trazer nada de novo, levou embora minha felicidade.Relato aqui uma cena típica do meu cotidiano. Estou passando um sábado ensolarado na piscina, na companhia de pessoas que adoro, lendo uma boa revista, tomando uma cerveja gelada. Resolvo tirar uma foto e postar no Instagram. Não para aparecer, mas para compartilhar o momento gostoso. O filtro fica lindo e a foto aparece na minha timeline como um raio de luz. Legal! Aí decido que posso também dar uma olhada no resto das fotos que meus amigos postaram. E eis que cai a bomba! Eles é que são felizes, eu sou um lixo.A sensação que eu tenho é que sou a única que tenho que trabalhar. Todos estão sempre de férias há meses e muito, muito longe. Croácia, Turquia, Japão, até Nova Zelândia tinha outro dia. As comidas são as mais saborosas, de restaurantes que nunca pensei que fossem frequentados por alguém que não o Alvaro Garnero. Roupas maravilhosas, crianças loiras de olhos azuis, praias de água cristalina, livros de 600 páginas marcados no último capítulo. Peraí, pessoal, que horas vocês viraram magnatas de sucesso e não fui informada?Essa é a sensação que tenho toda vez que vou postar uma mísera foto. Não há felicidade que aguente essa competição. Você pode até estar num barco de rico andando pelo mar. Alguém estará andando num barco de rico pelo mar, comendo um cupcake. Não há limites para a humilhação.E o pior, você posta aquela cena de inferioridade e o outro ainda curte. É pra te mostrar que está vendo a sua situação chata! Toma essa, negão.No começo eu via por masoquismo mesmo. Deixa eu ver o que de delicioso eu não comi hoje. Quero dar uma chorada por não ter ido praquela praia do Caribe. Mas agora eu seleciono somente os dias em que estou com a auto-estima nas alturas e encaro. Nos outros, posto e fecho na hora! O Facebook já chegou a gerar isso nas pessoas, mas acabou sendo tomado por fotos de animais maltratados e pessoas reclamando que vai chover (o que seria um mashup do Orkut com o Twitter). Mas no Instagram as pessoas são metidas a besta e se focam exclusivamente na ostentação. Será que é uma ação de marketing dos psicólogos do mundo todo? Uma cliente eles já tem.
* texto originalmente publicado na coluna Vida Dura Digital, na Revista Windows.

Eu achava que era feliz, mas não sabia

Uma história de depressão profunda após abrir minha vida no Instagram

por @feguima

A gente sempre acha que as coisas vem na vida para acrescentar. Ainda mais na vida digital, em que cada link pode abrir um mundo novo de possibilidades. Pois bem, conto hoje a triste história de quando isso não aconteceu. E pior, além de não me trazer nada de novo, levou embora minha felicidade.

Relato aqui uma cena típica do meu cotidiano. Estou passando um sábado ensolarado na piscina, na companhia de pessoas que adoro, lendo uma boa revista, tomando uma cerveja gelada. Resolvo tirar uma foto e postar no Instagram. Não para aparecer, mas para compartilhar o momento gostoso. O filtro fica lindo e a foto aparece na minha timeline como um raio de luz. Legal! Aí decido que posso também dar uma olhada no resto das fotos que meus amigos postaram. E eis que cai a bomba! Eles é que são felizes, eu sou um lixo.

A sensação que eu tenho é que sou a única que tenho que trabalhar. Todos estão sempre de férias há meses e muito, muito longe. Croácia, Turquia, Japão, até Nova Zelândia tinha outro dia. As comidas são as mais saborosas, de restaurantes que nunca pensei que fossem frequentados por alguém que não o Alvaro Garnero. Roupas maravilhosas, crianças loiras de olhos azuis, praias de água cristalina, livros de 600 páginas marcados no último capítulo. Peraí, pessoal, que horas vocês viraram magnatas de sucesso e não fui informada?

Essa é a sensação que tenho toda vez que vou postar uma mísera foto. Não há felicidade que aguente essa competição. Você pode até estar num barco de rico andando pelo mar. Alguém estará andando num barco de rico pelo mar, comendo um cupcake. Não há limites para a humilhação.

E o pior, você posta aquela cena de inferioridade e o outro ainda curte. É pra te mostrar que está vendo a sua situação chata! Toma essa, negão.

No começo eu via por masoquismo mesmo. Deixa eu ver o que de delicioso eu não comi hoje. Quero dar uma chorada por não ter ido praquela praia do Caribe. Mas agora eu seleciono somente os dias em que estou com a auto-estima nas alturas e encaro. Nos outros, posto e fecho na hora!

O Facebook já chegou a gerar isso nas pessoas, mas acabou sendo tomado por fotos de animais maltratados e pessoas reclamando que vai chover (o que seria um mashup do Orkut com o Twitter). Mas no Instagram as pessoas são metidas a besta e se focam exclusivamente na ostentação. Será que é uma ação de marketing dos psicólogos do mundo todo? Uma cliente eles já tem.

* texto originalmente publicado na coluna Vida Dura Digital, na Revista Windows.

(via 472239364)

em resumo, é isso.

em resumo, é isso.

artcollage:

Cecilia Paredes uses her own body as a medium by wrapping herself in cloths or painting her skin and placing herself at the disposal of an environment that absorbs her in.

via mydarkenedeyes

(via dosolhospradentro)